terça-feira, 25 de fevereiro de 2025

Shakira, Papatinho - Estoy Aquí


O recém-lançado videoclipe do remix de "Estoy Aquí", fruto da colaboração entre Shakira e o produtor brasileiro Papatinho, destaca-se por sua rica perspectiva de videodança. Gravado na comunidade da Maré, no Rio de Janeiro, o clipe é protagonizado pelo coreógrafo e bailarino Raphael Vicente, juntamente com o grupo Dança Maré, composto por 25 dançarinos. 

A coreografia, apresentada inicialmente a Shakira durante sua participação no programa "Domingão com Huck", foi incorporada ao videoclipe oficial, evidenciando a interação entre artista e comunidade local.  O vídeo exibe uma fusão vibrante de cores, movimentos e energia, refletindo a essência do funk carioca e a cultura brasileira. As cenas dinâmicas capturam a vitalidade das ruas da Maré, proporcionando uma experiência visual que celebra a dança como forma de expressão cultural e artística. 

O videoclipe é um exemplo claro de como a videodança pode transformar a dança em um elemento central da experiência audiovisual. A fusão entre corpo, música e espaço urbano cria um impacto visual e emocional que vai além de um clipe tradicional, tornando a dança um meio de expressão cultural e identidade local. Aqui estão alguns dos principais elementos que se destacam no clipe:

1. Diálogo entre dança e espaço urbano

  • O clipe foi gravado na comunidade da Maré, no Rio de Janeiro, incorporando o cenário real como parte da performance.
  • A dança interage diretamente com o ambiente, utilizando ruas, becos e lajes como extensão do corpo e do movimento, criando uma coreografia que se adapta ao espaço urbano.

2. Movimento e cinematografia integrada

  • A filmagem apresenta uma abordagem fluida, com cortes e ângulos que reforçam o ritmo e a intensidade dos movimentos.
  • Há um uso estratégico de planos fechados e abertos, permitindo que o espectador sinta a energia da dança ao mesmo tempo em que aprecia a amplitude da coreografia coletiva.

3. Enfoque na cultura popular e identidade local

  • O funk carioca, fortemente presente na coreografia, ressalta a influência das danças urbanas e populares na videodança.
  • A estética e os movimentos dos dançarinos do grupo Dança Maré traduzem não apenas técnica, mas uma expressão genuína da comunidade.

4. Ritmo e edição dinâmica

  • A montagem acompanha a batida da música, alternando entre momentos mais rápidos e outros que destacam performances individuais e coletivas.
  • O uso de slow motion e acelerações pontuais amplifica a expressividade dos movimentos.

5. Corpo como narrativa visual

  • A dança não é apenas um complemento à música, mas um meio de contar uma história, expressando sentimentos de liberdade, pertencimento e celebração.
  • O envolvimento da coreografia criada por Raphael Vicente e apresentada a Shakira anteriormente reforça a conexão entre os dançarinos e a artista.




terça-feira, 4 de fevereiro de 2025

Calico Mingling de Lucinda Childs e Babette Mangolte


A obra Calico Mingling (1973), coreografada por Lucinda Childs, é um marco da dança pós-moderna, e sua relação com a dança para a tela é amplificada pela cineasta Babette Mangolte, que documentou e traduziu essa coreografia para o formato cinematográfico. Vamos analisar essa relação sob diferentes aspectos:


1. A Coreografia de Calico Mingling

  • Lucinda Childs, uma das grandes figuras do Judson Dance Theater, criou essa peça como parte de sua pesquisa sobre padrões geométricos e minimalismo no movimento.
  • A coreografia se baseia em deslocamentos no espaço, com os dançarinos realizando trajetórias repetitivas e simétricas, criando formas abstratas sem uma narrativa explícita.
  • O título "Calico Mingling" sugere um entrelaçamento de padrões, assim como ocorre em tecidos estampados, refletindo o jogo coreográfico de encontros e desencontros dos bailarinos.

2. A Visão Cinematográfica de Babette Mangolte

  • Babette Mangolte, cineasta e fotógrafa conhecida por seu trabalho com a dança pós-moderna, documentou Calico Mingling de forma que evidencia sua relação com a tela.
  • Diferente de uma simples gravação de um espetáculo, Mangolte usa enquadramentos que enfatizam a estrutura da coreografia, transformando a performance em uma experiência cinematográfica.
  • Sua abordagem evita cortes excessivos, permitindo que o espectador acompanhe os deslocamentos e padrões coreográficos sem interrupções bruscas, respeitando a lógica minimalista da dança.

3. Dança para a Tela: O Espaço Como Coreografia

  • Mangolte capta a dança de um ponto de vista quase arquitetônico, mostrando como os movimentos dos bailarinos desenham padrões no espaço.
  • A câmera não interfere no fluxo da coreografia, mas a escolha dos ângulos e do enquadramento reforça a geometria dos deslocamentos.
  • O plano sequência e o uso de planos amplos são fundamentais para preservar a sensação de continuidade e precisão da obra.

4. Relação com Outras Obras da Dança para Tela

  • Assim como em outros registros coreográficos dirigidos por Mangolte (Trio A de Yvonne Rainer, por exemplo), Calico Mingling desafia a ideia de dança como algo a ser visto exclusivamente no palco.
  • A transposição para o cinema permite que novos públicos percebam a complexidade da movimentação e da estrutura coreográfica de Lucinda Childs, que poderia ser menos evidente em uma apresentação ao vivo.

A colaboração entre Lucinda Childs e Babette Mangolte em Calico Mingling exemplifica como a dança para a tela pode ser usada para expandir e reinterpretar coreografias minimalistas. Através do olhar cinematográfico de Mangolte, a precisão geométrica dos movimentos de Childs ganha um novo nível de visibilidade, tornando a dança um desenho móvel no espaço, onde o olhar da câmera se torna parte essencial da experiência coreográfica.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2025

Kenzo World



O filme publicitário Kenzo World (2016), dirigido por Spike Jonze e estrelado por Margaret Qualley, é um excelente exemplo de como a dança para a tela pode ser explorada de maneira inovadora. Podemos destacar vários aspectos específicos desse tipo de dança no curta:

1. Uso da Coreografia Expressiva e Não Convencional

  • A dança, coreografada por Ryan Heffington (também responsável por Chandelier, de Sia), foge das formas tradicionais de balé ou dança contemporânea, explorando movimentos bruscos, inesperados e altamente expressivos.
  • Há uma fusão de gestos exagerados, expressões faciais intensas e movimentação corporal livre, criando uma sensação de espontaneidade e descontrole controlado.

2. Interação com o Espaço Cinematográfico

  • O ambiente do hotel é usado como um "palco", mas com características cinematográficas: a personagem dança entre colunas, escadas, corredores e até interage com espelhos.
  • O espaço não é um cenário fixo como em uma apresentação ao vivo; a câmera segue a dançarina, reforçando a tridimensionalidade do espaço.

3. Uso da Câmera como Parte da Coreografia

  • A câmera não apenas registra os movimentos, mas também participa da coreografia. Movimentos de câmera fluidos, mudanças de enquadramento e cortes dinâmicos complementam a dança.
  • Há momentos de câmera subjetiva, que mergulham na energia caótica da personagem.

4. Edição e Ritmo

  • A montagem é essencial para a construção da narrativa corporal. Os cortes seguem a intensidade da performance, alternando entre planos abertos que mostram todo o movimento e closes que enfatizam expressões faciais e gestos.
  • O ritmo da edição acompanha a trilha sonora vibrante (Mutant Brain, de Sam Spiegel e Ape Drums), reforçando a fusão entre dança e cinema.

5. Exploração das Emoções e Narrativa Abstrata

  • A dança para a tela permite contar uma história sem palavras. Aqui, a personagem passa por uma transformação emocional intensa — começa contida e rígida e depois explode em energia crua e liberdade.
  • O uso de expressões faciais extremas e gestos descontrolados cria uma performance quase teatral, mas que funciona perfeitamente na tela devido à proximidade da câmera.

6. Estética e Construção Visual

  • A fotografia do filme usa tons sofisticados e iluminação dramática, criando contrastes entre a sobriedade do espaço e a energia caótica da dança.
  • O figurino de Margaret Qualley, um elegante vestido verde, adiciona fluidez aos movimentos e cria um impacto visual dinâmico.

No geral, Kenzo World é um exemplo brilhante de como a dança para a tela pode ir além da simples performance coreografada, tornando-se uma experiência cinematográfica envolvente, que mistura emoção, narrativa visual e experimentação física.

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